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Para o Verão 2020

No início deste ano – sem adivinhar o que nos esperava -, disse à minha mãe que gostava de que as nossas férias de verão fossem muito tranquilas, ao estilo de Call Me By Your Name – duas semanas numa casa de campo, num lugar sossegado, com árvores onde pudéssemos apanhar frutos em cestas de verga, com o mar nas redondezas e com muitos livros para saborear depois de almoço. Pesquisei por vários lugares no nosso mediterrâneo que tanto adoro: Côte D’Azur, Córsega, Sicília… Entretanto, o mundo mudou. As duas semanas passaram para dois meses, as viagens de avião passaram para roadtrips de carro, os hotéis franceses ou italianos passaram para hospedagens portuguesas. Porque tenho um país lindíssimo para descobrir – de norte a sul, da Serra do Gerês à Praia Verde, da Costa Vicentina ao Douro Vinhateiro. Tenho tanta sorte em ir como em ficar. Este ano, fiquemos. ♡

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Sobre Genuinidade

Nas últimas semanas, distanciei-me um pouco do online – daí a minha ausência no blog nos dois domingos passados. De vez em quando, sinto que preciso de dar um passo atrás para olhar para a minha presença neste mundo das redes sociais e, principalmente, para reavaliar as minhas partilhas e as de quem acompanho. Para ser sincera, comecei a escrever este post no domingo passado; desde então, escrevo e apago, reescrevo e apago novamente, às voltas para encontrar as palavras certas para o que quero dizer. Desde que publiquei este blog, sinto uma pressão, que coloco em mim mesma, para que as páginas que o acompanham, principalmente o instagram, correspondam às expectativas. De quem? Não sei bem. Paralelamente – e, neste ponto, parece-me que grande parte das pessoas que conheço pode concordar -, sinto também uma fragilidade na linha que separa o quanto uma pessoa nos inspira e o quanto nos faz sentir mal connosco mesmas(os), o que acaba por, muitas vezes, tombar para o lado menos bom. Por isso, esta distância nas últimas semanas permitiu-me pensar muito sobre a toxicidade do online – o quanto genuinamente me deixo sugestionar pelo que de genuíno pouco tem e, simultaneamente, o quanto posso estar a contribuir para essa realidade que de real pouco, igualmente, tem.

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Moda | Conscious Fashion Series: Preço/Qualidade

Há duas semanas publiquei a minha primeira wishlist no blog, onde partilhei algumas peças que adoraria comprar, maioritariamente de marcas portuguesas. No entanto, confesso que, depois de partilhar o post, me apercebi de que muitas das minhas escolhas estavam bem acima do comum acessível, do que o meu próprio círculo de amigas(os) poderia comprar. Penso que, ainda que sem querer, possa ter contribuido para o estigma de que comprar made in Portugal é muito mais caro do que comprar nas marcas fast fashion – e senti-me na obrigação de dizer algo sobre isso numas stories no meu instagram, que ainda encontram nos destaques de slow fashion. Nessa linha de pensamento, decidi escrever algumas ideias sobre a famosa relação preço/qualidade.

No início deste semestre de aulas de mestrado, numa cadeira no âmbito do comportamento do consumidor, surgiu uma conversa sobre o preço enquanto indicador de qualidade, que me remeteu logo para a área da moda. Esta ideia define-se, resumidamente, em demonstrar e comprovar qualidade através dos preços marcados – quanto maior o preço, maior a qualidade. Não precisamos de procurar muito longe: consideremos o grupo Inditex. Uma grande parte das pessoas que conheço considera a Zara uma das marcas de melhor qualidade do grupo, em comparação com a Bershka ou a Pull&Bear. No entanto, se a Massimo Dutti ou a Uterqüe entrarem na equação, a Zara quase automaticamente desce para uma posição inferior. Pelo corte das peças? Pela composição dos tecidos e materiais? Pelo preço? De certa forma, enquanto consumidoras(es), frequentemente assumimos a qualidade de determinada marca pelos preços que esta pratica, independentemente de se conhecer qualquer atributo das peças – e, por vezes, sem sequer alguma vez entrar na respetiva loja. Quanto do preço representa a nossa ideia em relação à marca?

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Tenderness Sessions #2

Esta semana não trago nenhuma publicação sobre moda, viagens ou livros. Parece-me que qualquer um desses temas se torna secundário face ao que se passa no mundo neste momento – e tanto se passa. Infelizmente, ainda não me reconheço a sabedoria suficiente para conversar sobre o que tanto precisa de ser conversado, por isso decidi trazer apenas algumas palavras que escrevi esta manhã – uma calma manhã de domingo, como tanto gosto. Tenho a certeza de que se todos parássemos, de vez em quando, para olhar para dentro – quem somos, como somos, quem queremos ser, como queremos ser -, para escutar aquela voz a que gosto de chamar de essência, algumas guerras seriam apenas paz.

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Moda | Wishlist #1

Sempre gostei de ver wishlists – tanto as das minhas bloggers preferidas, como as das revistas de moda. Entretanto caiu em desuso, mas continuo a gostar muito. Por isso, decidi partilhar a minha wishlist de momento. Estive mais de seis meses sem comprar roupa, sapatos, acessórios, o que aconteceu por mero acaso, sem qualquer propósito específico, sem sequer pensar sobre o assunto. As minhas últimas compras foram em novembro, durante a minha viagem a Nova Iorque (como não poderia deixar de ser!). Entretanto não precisei de comprar mais nada, nem para o inverno, que não foi muito rigoroso, nem para a primavera, em que reinaram as roupas de andar por casa. Com a chegada da nova estação – e da liberdade para, aos poucos, regressarmos ao normal – comecei a procurar algumas peças novas para o meu verão.

Quando me apercebi de que não fazia compras há mais de seis meses, pensei que esta seria uma excelente oportunidade para mudar algumas das minhas escolhas em relação a marcas no campo da moda. Há mais de dois anos, partilhei alguns princípios para um consumo consciente e, na altura, confessei que sentia alguma dificuldade em encontrar um equilíbrio entre o meu gosto, o meu poder de compra e as marcas disponíveis que cumprissem o princípio da slow fashion. Sempre soube que descobriria esse equilíbrio – e tenho o maior orgulho em dizer que, finalmente, me encontro numa posição em que deixei de contribuir para o consumo preso às regras da fast fashion. Esta mudança não significa que, daqui em diante, não me volte a deslocar a um shopping – acima de tudo, simboliza uma nova fase no meu caminho na moda, em que passo a consumir de maneira (ainda) mais consciente. Para comemorar, desenhei a minha primeira wishlist, composta maioritariamente por marcas portuguesas. Existem duas exceções: os loafers da Gucci, que estão há demasiado tempo debaixo de olho para não incluir nesta lista, e as peças da marca espanhola MEYME, que me deixaram rendida.

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