pessoal

Aos meus 24

Escrevo-vos do alpendre da casa da minha tia-avó. Gostava de começar todos os meus dias assim: com a tranquilidade e o sossego do amanhecer, com um vestido de verão e com palavras para passar da caneta para o papel. Há uns dias encontrei uma frase sobre esta serenidade das seis da manhã: “I love early mornings when it feels like the rest of the world is still fast asleep and you’re the only one who’s awake and everything feels like it isn’t really real and you kind of forget about all your problemas because for now it’s just you, the world and the sunrise“. Não podia concordar mais; a esta hora, não há nada que possa estar errado. Esta manhã, quis acordar ainda mais cedo. Comemoro 24 primaveras e, à semelhança da celebração das 21, deixo-vos novamente uma mensagem à altura da ocasião.

Este último ano ficou marcado por um intenso processo de descoberta interior – e não deixo de pensar que, no momento em que me encontro numa posição tão delicada a nível profissional, me sinto tão alinhada em todos os campos da minha vida. Se apenas pudesse guardar uma aprendizagem dos meus 23, escolheria esta noção de conhecimento de mim própria. Quando nos conhecemos, não há como não gostar de nós mesmas(os). Caminhamos com a certeza, ou a incerteza, de quem somos – porque até a incerteza pressupõe um estado de compreensão de nós próprias(os). Quando nos conhecemos, não há espaço para segundas opiniões que causam dúvidas ou questões sobre a nossa própria perceção. Quando nos conhecemos, encontramos plenitude em quem somos – uma grandeza que não sei bem explicar. E, para nos conhecermos, devemos estar conscientes de nós mesmas(os) – dos nossos pensamentos, das nossas palavras, das nossas ações; dos nossos traços de personalidade, dos saudáveis aos tóxicos; de quem somos e de quem queremos ser. Encontrei um estado de equilíbrio que me faz caminhar com confiança em quem sou – e com a certeza de que este processo não terminará tão cedo, porque sobrará sempre espaço para me redefinir e reinventar. Ser significa isso mesmo: estar em movimento, em mudança, em transformação.

Bastante próxima desta noção de autoconhecimento, guardo uma segunda aprendizagem que se resume numa frase que adoro: be unapologetically yourself. Que desperdício retrairmos quem somos! Não há melhor versão de mim mesma que aquela que eu sou, na minha forma mais genuína, mais autêntica, mais intuitiva. Se tens calma, serenidade e softness, que tenhas. Se tens chama, entusiasmo e êxtase, que tenhas. Se és sensível, que sejas. Se és inabalável, que sejas. Que apuremos as nossas qualidades e trabalhemos as nossas falhas; mas que, simultaneamente, encontremos um ponto de equilíbrio em que nos sintamos bem na nossa própria pele. Gosto muito de observar a beleza da imensa diversidade de personalidades que encontro à minha volta – e há que celebrar a nossa individualidade, a nossa presença. Se gostas de partilhar fotografias artísticas na tua página de instagram, partilha. Se gostas de ouvir dois estilos de música que são absolutamente diferentes, ouve. Se gostas de acordar tarde – ainda que algumas pessoas (eu, eu, eu) não parem de partilhar o quanto gostam de acordar cedo -, acorda. Não há nada que valha a pena sermos senão nós próprias(os), sem vergonhas, sem desculpas, sem comparações.

Ultimamente, tenho pensado bastante numa realidade a que cada vez dou mais valor: a de encontrar tempo para as pequenas coisas. Sinto que, nos dois anos que se passaram, perdi uma grande relação que tenho com datas especiais, fins-de-semana em casa, refeições à mesa – e finalmente a estou a recuperar. Por isso, guardo uma terceira aprendizagem, de valorizar os pequenos momentos: um pequeno-almoço em família, uma comédia romântica num domingo à tarde, um banho quente depois de um dia de praia, ou de chuva, um convívio numa mesa cheia de comida, umas primeiras castanhas no outono, uma mensagem ou uma chamada de alguém que se lembrou de mim, um aroma a café pela manhã, ou a bolo a sair do forno, uma conversa profunda, uma viagem de carro com amigas(os). Que encontremos sempre tempo para o que nos faz bem, independentemente da sua dimensão, porque, do que aprendi nestes últimos 23 anos, as mais pequenas coisas são as que mais espaço ocupam no meu coração. Hello, 24!

Inês Nobre
Um blog sobre o que mais me apaixona, como melhor me sei expressar - pela moda e pela escrita.

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