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Moda | Conscious Fashion Series: Mudanças Simples

Fiz a mudança de estação das minhas roupas há umas semanas – arrumei os casacões de inverno que (felizmente!) só serão precisos daqui a alguns meses e coloquei peças mais frescas no roupeiro do dia-a-dia. Estas mudanças de estação, que costumo fazer umas duas vezes por ano, deixam-me sempre a pensar em novas maneiras para ser mais consciente em relação à moda. Não sei se sentem o mesmo quando fazem estas mudanças, mas eu tenho sempre estes dois pensamentos – preciso de comprar um casaco de ganga e nem me lembrava de que tinha este vestido. Há sempre algo que ainda gostava de comprar e, simultaneamente, algo de que não me recordava que tinha no roupeiro. De qualquer maneira, independentemente do pensamento que predomina de cada vez que faço estas mudanças, acabo sempre por pensar muito sobre moda consciente, a par do meu sentido de estilo, que adoro reinventar a cada nova estação.

Julgo que o tema da moda consciente pode ainda ser complexo, especialmente para quem não acompanha notícias, páginas ou personalidades relacionadas. Por isso, pensei em desmistificar algumas mudanças bastante simples, que podem ser tomadas sem grandes esforços, a qualquer momento. Vamos a isso?

1. O primeiro passo para qualquer mudança ocorre quando se toma consciência de que essa mesma mudança precisa de ser realizada. Antes de haver disposição para aplicar medidas de mudança de comportamento, há que ganhar um sentido de consciência da oportunidade ou do problema que temos à frente. Esta regra aplica-se a qualquer situação, desde mudanças de hábitos de consumo a alimentação saudável a execício físico. O primeiro passo será sempre ganhar consciência. Como fazer na temática da moda consciente? Saber. O interesse no tema, por si só, pode ser um excelente ponto de partida – e há imensa informação disponível. Eu gosto de seguir este tema maioritariamente por artigos e notícias, mas um bom reminder de que não estou nisto sozinha são algumas páginas de instagram – gosto muito de seguir a Joana Silva, que tem até a sua própria marca, a Mariana Soares Branco, que cada vez mais me convence das compras em segunda-mão (pelas quais sempre nutri algum ceticismo), a Fair Bazaar, que aborda a sustentabilidade também em vertentes para além da moda, entre outras.

2. Para mim, o segundo passo a ser tomado rumo a uma maneira consciente de olhar para a moda passa por reduzir o consumo. Já partilhei os meus princípios para um consumo consciente e para tempos de descontos – podem espreitar as minhas ideias por lá, para perceberem melhor porque acredito que podemos e devemos diminuir o que compramos. Esta altura em que (ainda) estamos em casa pode ser uma boa oportunidade para percebermos o que temos nos roupeiros – por exemplo, através de uma mudança de estação, em que, como disse no início, surgem algumas peças de que não nos recordávamos. Paralelamente, parece-me também uma boa ocasião para pensar nas roupas de que mais gostamos – quais os conjuntos de que temos mais saudades de usar? -, no sentido de (re)descobrir o nosso estilo e a nossa identidade através do que escolhemos vestir. ‘Cause that’s what fashion is about, right? Portanto, não se trata de uma utopia de abolição do consumo – este existirá sempre, pelas mais variadas razões. Pelo contrário, este segundo passo prende-se muito pela consciência no momento de comprar – aquele “pensando melhor…” se precisamos mesmo de mais uma camisola, ou mais umas calças, ou mais uns sapatos.


3. Por último – e esta poderá ser uma das mudanças aparentemente mais difíceis – apoiar o pequeno comércio. Já partilhei também algumas ideias sobre slow fashion, que vos convido a ler para perceber melhor as diferenças para a fast fashion, a que estamos tão habituadas(os). Ouço muitas vezes que as marcas de roupa sustentável são bastantes mais caras do que as marcas presentes nos shoppings, mas há que pensar em tudo o que está por detrás desse preço. Para além disso, o pequeno comércio não se restringe às marcas sustentáveis conhecidas no instagram – acontece, por exemplo, quando escolhemos comprar um par de collants naquela pequena loja de rua que existe desde que nos lembramos, em vez de nos deslocarmos a uma grande superfície. Esse pequeno comércio costuma vender produtos portugueses – e haverá maior orgulho do que vestir made in Portugal? Há uns dias reparei que uma camisola da Zara que tenho há anos foi fabricada no nosso país e fiquei verdadeiramente contente. Por isso, apesar de poder parecer difícil, basta olhar atentamente para perceber que podemos fazer muitas compras para além das grandes marcas de fast fashion.

Sobre este último ponto, quero partilhar algumas ideias sobre o conceito de preço e sobre a sua associação à palavra qualidade num futuro breve. Por agora, espero que estes três passos desmistifiquem um bocadinho a ideia de que a moda consciente não serve para todos – porque serve! Digam-me: quais as mudanças que vos fazem mais sentido?

Fotografia: Pinterest

Inês Nobre
Um blog sobre o que mais me apaixona, como melhor me sei expressar - pela moda e pela escrita.

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