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Sobre Desabafar

Esta semana que passou revelou-se um bocadinho complicada para mim. Não que tenha acontecido algo de menos bom em particular – felizmente, está tudo bem -, mas não consegui nem acordar às horas de que gosto, nem adormecer com facilidade, nem comer muito bem, nem fazer muito exercício. Como vos disse no post sobre as minhas expectativas para outubro, sinto-me muito melhor quando consigo, de facto, cumprir com esta base – sono, alimentação, exercício – e quando não a mantenho por mais do que dois ou três dias parece que a minha energia se evapora. Se acrescentar algumas hormonas a estes dias mais propícios ao desânimo, deparo-me com o cenário ideal para uma semana mesmo chata. Há dias assim… Há que aceitar. No entanto, nem tudo se perde. Estes dias mais preguiçosos acabam por me dar tempo e disponibilidade para pensar sobre vários temas, especialmente aqueles que mais me preocupam e inquietam na fase em que me encontro. Ultimamente, sempre que tenho alguns dias assim, penso muito no blog. Desta vez, sinto que preciso de escrever umas quantas coisas, por isso, venho desabafar um bocadinho sobre estas últimas semanas. Têm um tempinho?

Preciso de recapitular um pouco os últimos anos, para mim e para quem está desse lado, para contextualizar o meu regresso. Os últimos seis anos têm sido muito preenchidos para mim, desde os primeiros tempos de faculdade ao começo da minha carreira. O meu percurso académico e profissional sempre esteve no topo das minhas prioridades. Felizmente, sempre consegui cumprir tudo aquilo a que me propus neste campo, pelo que, apesar de gostar muito de escrever no blog e de querer muito dedicar mais tempo a este espaço, a minha carreira estava – e continua a estar – em primeiro lugar. Sempre atribui muito do meu valor às minhas conquistas no âmbito académico e profissional, o que me perdoou a mim própria de todas as vezes que não consegui manter a consistência por aqui; no entanto, simultaneamente, sempre tive este pequeno desgosto de não me conseguir dedicar mais ao blog, maioritariamente por falta de tempo. Entretanto, regressando ao presente: encontro-me finalmente numa posição em que posso assumir um compromisso duradouro com este cantinho. Nestas circunstâncias, surge o regresso ao blog. Vamos relembrar os primeiros tempos por aqui?


Comecei a escrever no blog em finais de agosto de 2015, com o nome 21st Avenue. Se reconhecem este primeiro nome, acompanham-me há algum tempo – e ainda bem! Gosto de vos ter por cá. Passado pouco mais de um ano, decidi começar um novo blog com o meu próprio site e o meu próprio nome, onde nos encontramos agora. No entanto, por todos os meus compromissos a nível académico e profissional, não consegui manter a consistência no blog, o que fez com que, consequentemente, perdesse também essa consistência no instagram, onde dou mais visibilidade ao blog – e a minha presença online foi desvanecendo. Neste momento, para além de mais disponibilidade, sinto que tenho também muito mais propósito. Para ser sincera, há algum tempo que tenho uma nítida visão do que quero e do que não quero fazer online; todos os posts publicados até agora, com mais ou com menos consistência, foram pensados de acordo com essa mesma visão.

Porém, muito mudou desde 2015. Os blogs perderam audiência; o instagram ganhou protagonismo, reunindo texto, imagem e vídeo num só espaço. Não sei se sentem o mesmo, mas eu continuo a gostar muito dos conteúdos mais old school, dos tempos mais genuínos por estes lados – os dress for less da Tess Christine, os looks no blog da Pure Lovers, os vlogmas da Mia Rose. Sigo pouquíssimas influencers, tanto a nível nacional como internacional, para não cair no risco de me comparar desmedidamente nem de me cansar das redes sociais, mas estou a par do que mais se faz por lá e, na maior parte das vezes, não me identifico com o que parece ter mais sucesso. Encontro cada vez menos simplicidade e espontaneidade online, mesmo nos meus próprios conteúdos. Consigo olhar para este blog como um espelho de quem sou – as minhas palavras, a minha escrita, as minhas cores, a minha vibe. Este cantinho está “a minha cara”, como diriam as minhas amigas. No entanto, ainda não consegui encontrar essa expressão de mim mesma no instagram. Já escrevi sobre genuinidade e autenticidade, mas acho que ainda estou a descobrir, a cada dia que passa, como ser o mais genuína possível.



Não há mal nenhum no que se faz online, especialmente no campo da moda, ao qual dou mais atenção; mas também não há mal nenhum em admitir que, em grande parte, não é para mim. Recuso-me a seguir padrões que, por mais sucesso que tenham, não espelham quem sou – especialmente porque olho para este blog como o meu hobby preferido, pelo qual nutro um carinho gigante. Não tenho qualquer intenção de profissionalizar o blog (apesar de, por vezes, dedicar-lhe tanto preciosismo que mais parece profissão). Contrariamente à tendência na minha geração, gosto de trabalhar por conta de outrem, adoro a minha área de estudos – que é a comunicação, para quem não souber desse lado – e estimo muito saber que posso desenvolver este blog no sentido de corresponder às minhas expectativas, acima de quaisquer outras. Estas últimas semanas têm sido muito boas para perceber o que quero, ao tentar, ao errar, ao tentar de novo. Fico muito contente quando percebo que um certo caminho não resulta para mim, porque me faz aproximar daquele que resultará. Com este regresso ao blog, aprendi (e continuo a aprender) a ser mais leve, mais simples, menos exigente, menos comercial. Penso que o online está a precisar de mais disso. Concordam? Gostava de saber quem está desse lado, por que razões acompanham o blog e o que mais gostam de ler por cá – porque também os hobbies precisam de feedback. Fico sempre genuinamente surpreendida quando o Bryan me diz que uma amiga de longa data ou a namorada de um dos amigos do grupo comentaram que acompanham o que escrevo. Ele diz-me que há mais pessoas desse lado do que penso, pessoas que eu nem imagino que acompanham este cantinho, porque, na verdade, eu continuo a achar que escrevo apenas para mim. Deixei algumas perguntas nas minhas stories no instagram, para conhecer melhor os vossos gostos e as vossas expectativas quanto a este espaço. Obrigada por estarem desse lado. E por lerem as minhas divagações! God knows I have so many.

Inês Nobre
Um blog sobre o que mais me apaixona, como melhor me sei expressar - pela moda e pela escrita.
2 COMMENTS
  • Inês Nobre

    Obrigada, minha Luísa, por sempre estares desse lado ♡

  • Ana

    Adorei o post!! Deste lado tens sempre quem te acompanhe **

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