pessoal

Tenderness Sessions #1

Tenho muitas saudades de escrever de maneira espontânea, autêntica, sem grandes regras. Tenho a escrita presente no meu dia-a-dia há muitos anos, desde o meu curso em comunicação ao meu estágio na mesma área – e, mesmo depois de começar a trabalhar como assistente de bordo, ainda decidi regressar aos estudos, o que me reaproximou do hábito de escrever. No entanto, não sei bem quando deixei de passar a minha imaginação para o papel. Desde então, sinto que perdi aquela liberdade de transformar palavras em poemas, num bloqueio que perdura há demasiado tempo, muito por causa de uma quanta inflexibilidade que personifico na minha escrita académica e, na altura, profissional. Num certo momento cheguei a participar num workshop de escrita criativa, de que gostei imenso; mas lembro-me de comentar com as meninas que participaram também que depois de um dia a escrever no escritório e de uma noite a escrever um trabalho na faculdade, ficava com pouco para dar a todas as outras ideias na minha cabeça. O blog tornou-se no espaço onde me permito ter asas para desenvolver esse lado mais “artístico”, na falta de palavra melhor, mas não deixava de sentir que ainda não tinha regressado por inteiro. Nestes últimos tempos têm acontecido algumas transformações muito boas por este lado – e uma das melhores foi a que me trouxe, finalmente, de regresso à minha escrita.

Não sei porque decidi dar o nome de tenderness sessions a estes momentos de partilha da minha escrita. Existem algumas palavras de que gosto particularmente, sem razão aparente, pelo som ou pela caligrafia – e tenderness sempre foi uma delas. Gostava de começar a partilhar algumas passagens que vou escrevendo, com mais liberdade e tranquilidade, neste meu regresso à escrita. Comecemos por algo que escrevi há uns dias, na mesa da cozinha, ao pôr-do-sol.

algumas coisas que recentemente descobri sobre mim

descobri que não há melhor despertar do que a luz do amanhecer no meu rosto. descobri que posso passar horas a admirar as formas das nuvens. descobri que sou a minha companhia preferida. descobri que prefiro saber como está o tempo lá fora ao abrir a janela em vez da aplicação da meteorologia. descobri que adoro “abrir a cama” – tirar as almofadas decorativas e puxar os lençóis de um dos lados até fazer um triângulo – como fazem as minhas avós. descobri que gosto tanto de ir como de regressar. descobri que tomar um banho e vestir uma roupa lavada resolve muita coisa. descobri que sei cuidar incrivelmente bem de mim. descobri que tenho riso (e sorriso) fácil. descobri que gosto da melodia brasileira. descobri que o anoitecer me traz imaginação. descobri que os meus sonhos de pequena ainda moram todos dentro de mim.

Espero que gostem destes pedacinhos mais pessoais que vou trazendo timidamente para este canto onde me refugio tantas vezes. Que têm descoberto sobre vocês?

Inês Nobre
Um blog sobre o que mais me apaixona, como melhor me sei expressar - pela moda e pela escrita.

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